O que estamos comprando quando compramos um ebook?

O que estamos comprando quando compramos um ebook?

Recentemente, comprei um ebook na Amazon e simplesmente não consegui encontrá-lo no aplicativo Kindle que baixei no meu celular, um Motorola com sistema operacional Android. Dei uma olhada no site da Amazon, mas tampouco encontrei o arquivo por lá. Para onde ele foi? Evaporou?

Outra coisa estranha foi ter perdido um livro que salvei no Kindle instalado no meu antigo iPhone. Quando abri o aplicativo no meu novo Android, o livro também não estava lá.

Enfim… Ainda não tenho muita experiência como compradora de ebooks. A maioria dos livros que baixei no computador eram pdfs simples (livros digitalizados, e não ebooks). Mas lendo este artigo consegui entender um pouco melhor como funciona o mercado. Então fiz uma tradução livre para compartilhar com vocês.

Roberta da Purificação

Libertem o Ebook

Quem já comprou um ebook deve ter experimentado algumas limitações. Uma delas, bem primária, é a impossibilidade de emprestá-lo para alguém.

Se você adquiriu um ebook na Amazon, só pode abri-lo usando um dispositivo ou o aplicativo Kindle. Se comprou na iBooks Store, só pode ler num dispositivo da Apple. Ou seja, os grandes varejistas online americanos ainda dominam esse mercado e, no fim das contas, vendem seus suportes de leitura.

Alguns sites, como o Smashwords, tentam oferecer obras de domínio público sem restrições de dispositivo ou aplicativo de leitura, mas enfrentam dificuldade em competir contra os gigantes da área.

A Amazon, por exemplo, incentiva autores independentes a oferecer ebooks gratuitamente, com o argumento de que assim podem se tornar conhecidos pelos usuários da loja. Por trás disso, o interesse é promover os dispositivos Kindle.

Ebooks não podem ser armazenados na nuvem para serem acessados a partir de qualquer aparelho. Ou seja, eles continuam a ser propriedade do fabricante do dispositivo.

Se os livros reais fossem vendidos da mesma forma que os ebooks, eles seriam amarrados a estantes de carvalho. Os livros que você compraria seriam anexados à estante, e você só poderia lê-los dentro da área de alcance desse cabo de segurança.

Vale lembrar que, para além do Reino Unido e Alemanha, o resto do mundo tem pouco interesse em ebooks. Na França, ebooks representam apenas cerca de 3% do total das vendas de livros. Por quê? Porque para os europeus os livros de papel são mais portáteis do que os ebooks.

O futuro dos ebooks depende da sua padronização, portabilidade e flexibilidade. A cada ano, vemos novos dispositivos e a forma de consumir dados muda. O ebook precisa ser um livro que é comprado e, em seguida, lido, onde quer que seja, quando e como o comprador queira fazê-lo. Ele precisa ser acessível em um formato de arquivo padronizado, a partir de qualquer dispositivo que está na mão, e oferecer a conveniência de marcar a página onde paramos a leitura. Mais importante ainda, um ebook precisa ser um livro que você pode dar aos seus amigos.

Em outras palavras, o futuro dos ebooks depende de desenvolver a tecnologia para que ele seja um livro, simples assim, para ler e apreciar. Não pode haver futuro para os ebooks se o objetivo real for apoiar as vendas de dispositivos eletrônicos.

Roberta da Purificação

[Artigos] [Ebooks] [Livros]

Postado em 03/11/2015